terça-feira, 12 de dezembro de 2017

SOBRE TER DEPRESSÃO – O início do fim

Hoje eu completo 42 dias de tratamento e, desta vez, trago só boas notícias. Após o período introdutório do medicamento em que os efeitos colaterais foram pesadíssimos, hoje posso dizer que estou 95% curado. Nesta semana já iniciei o processo de desmame da medicação (que deve ser feito aos poucos para que o organismo se adapte à falta da substância) e até o momento estou me sentindo muito bem. Me sinto feliz!
É muito louco pensar que, semanas atrás, eu tinha sentenciado o fim da minha felicidade. É muito mais louco ainda lembrar que passou pela cabeça que tirar a minha própria vida seria uma saída. Meu processo todo, entre o início dos sintomas da depressão e da ansiedade, durou em torno de 2 meses e isso, pra mim, foi uma eternidade. Fico imaginando como outras pessoas conseguem passar até mesmo anos de sofrimento por conta de uma doença que corrói a mente todos os dias em todos os milésimos de segundo.

Assim como nos posts anteriores, vou insistir: PROCURE AJUDA E NÃO TENHA VERGONHA DO QUE ESTÁ SENTINDO! FALE COM OS AMIGOS, FAMÍLIA. RECORRA A SUA RELIGIÃO! MAS NÃO SE ISOLE, EM MOMENTO ALGUM!

Sei que há pessoas que estão acompanhando, desde o início, o meu processo e que também estão passando ou passaram por isso. Tenho recebido muitas mensagens de amigos, familiares e até desconhecidos que, de alguma maneira, estão preocupados comigo (tenho que agradecer muita gente!) ou que estão buscando informações sobre como devem agir (eu mesmo pratiquei isso quando buscava respostas) durante as crises e o início do tratamento da depressão. Até por isso tenho colocado, de quando em quando, os relatos do meu convívio com esse problema. Optei por passar por cima da vergonha na tentativa de ajudar, ainda que de maneira minúscula, outras pessoas. E vou dizer, isso também tem me ajudado muito. Fico muito feliz quando alguém entra em contato comigo e diz que meus textos têm contribuído para a compreensão de seu tratamento. Se fiz algo de bom nessa vida, certamente escrever sobre isso é uma delas.

Enfim, se outrora sentenciei o fim de meus melhores dias, hoje só posso decretar uma coisa: Só vem felicidade! 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

SOBRE TER DEPRESSÃO - Um dia de cada vez

Hoje completaram 30 dias do meu tratamento contra a depressão e ansiedade. Estou a base de medicamentos e sinto alguma evolução, sim. As vezes ainda me pego triste e desanimado (esta semana tem sido assim), mas na maioria do tempo me sinto bem. O choro fácil e a sensação de estar com a garganta amarrada são acontecimentos cada vez mais raros. No entanto, o receio de ter as crises novamente ainda é bem presente.

Outra boa notícia é que, depois de quase perder 10 quilos, estou ganhando peso de novo, mais rápido do que imaginei até (a paroxetina abre o apetite de tal forma que é preciso ter cuidado para não comer os pés da mesa). Meu bom humor está voltando aos poucos também e já consigo socializar com amigos e colegas do trabalho o que nos últimos dias era impossível.

Ainda que os efeitos dos remédios não tenham atingido o auge dentro do meu organismo (em média levam 2 meses para fazer o efeito completo, segundo os médicos), algo notável é a paralisação dos pensamentos ruins que dominavam minha mente e que me fizeram crer, em um episódio “apenas”, que o suicídio era uma hipótese bastante considerável. Já consigo controla-los e, graças a Deus, isso não voltou a acontecer.

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NOTA| Tenho lido muito sobre esse problema e faço parte de um grupo de apoio no Facebook e isso tem me ajudado a me entender melhor e perceber que, infelizmente, isso é mais comum do que a gente pensa que é (faço questão de frisar isso em todos os meus textos porque seu colega do lado pode estar vivendo esse momento e as vezes não percebemos. Não me canso de dizer também da importância de Deus, da família e dos amigos!). 

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A verdade é que, em comparação ao que passei nos primeiros 15 dias do tratamento, hoje eu consigo dizer que estou muito melhor (com todas as ressalvas ditas acima) e isso não tem preço. O alivio que sinto ao acordar pela manhã e não ter mais a sensação de que o mundo vai desmoronar sobre minha cabeça tem me ajudado a entender o boicote que eu sofria da minha própria cabeça e tem feito com que eu queira dar sempre mais um passo rumo à minha total recuperação. Digamos que estou no meio dessa caminhada, mas com a ajuda de Deus, família e amigos, em breve estarei 100% novamente!




terça-feira, 21 de novembro de 2017

Na plataforma da estação

Eu estava atrasado naquela manhã. Relógio apontava quase 11h quando no meu destino eu teria de estar às 10h. Não foi uma manhã fácil aquela. Desci a rua de casa às pressas e entrei no primeiro ônibus que ia para estação de metrô. Conferi meus bolsos para saber se tudo que eu precisava estava ali – celular, cigarros e carteira. Sim, tudo estava em seu devido lugar.

Foi então que, no trajeto para a estação, eu descobri que aquela manhã me surpreenderia. Após voltar ao meu estado normal e passar a perceber as pessoas ao meu redor, meus olhos, como imã, se voltaram para uma garota em especial. Eu não sei definir exatamente o que passou pela minha cabeça, mas senti que os lindos olhos castanhos claro dela também se voltaram pra mim. Nossos olhos, então, se encontraram por alguns longos segundos.

Chegamos ao destino e descemos, ela na minha frente. A deixei propositalmente nessa posição para que eu pudesse segui-la. Aquele encontro ocular, de alguma forma, me fez esquecer que estava atrasado. Continuei.

Já na plataforma da estação, por coincidência, parei logo atrás dela. Sentamos bem próximos um do outro, mas o encontro dos olhos já não era frequente. Chamam isso de timidez. Mas eu estava disposto a vencer a minha, já que aparentemente ela não venceria a dela. Ainda lembro de suas pernas mexendo pra cima e para baixo demonstrando ansiedade. De certa forma achei aquilo engraçado.
Já próximo de onde eu desceria, respirei fundo e, sem qualquer plano, me aproximei:

- Oi, tudo bem? Perguntei com a voz tremula.
Silêncio.

Percebi que ela estava de fone, mas que tinha me ouvido.
- Tudo e você?

Ainda sem muito o que dizer, pedi seu telefone e fui prontamente atendido. Nesse momento, um misto de alivio por não ter sido ignorado e de orgulho por não ter deixado escapar a oportunidade de conhecer alguém interessante.


Hoje, alguns dias após, tenho entendido que minha decisão foi correta. Agora, no entanto, nossos olhos que se cruzaram naquela manhã, se fecham todas as vezes em que nossas bocas se encontram.

SOBRE TER DEPRESSÃO - Meio assim assim, sei lá

Hoje eu acordei meio assim, sei lá. Sabe quando você desperta de um sono, pela manhã, e que algo diferente com você está acontecendo? Pois é, estou me sentindo assim. Muitos sabem que estou passando por uma redescoberta de mim mesmo. Embora eu acredite que o fundo poço esteja bem mais distante dos meus pés, hoje eu percebi que não estou cem por cento reconstruído. As recaídas, ainda que leves, me fazem parar pra pensar quem realmente sou e o que realmente quero pra mim. A parte ruim disso é que eu não tenho uma resposta.

Eu percebi que preciso me colocar em observação por mais tempo. Acho que não estou pronto pra me libertar totalmente. Não sem passar por essas pequenas “bads”. Ok, eu entendo que todo mundo, por melhor que esteja em seu momento, passa por isso também. Mas tantas lágrimas já escorreram pelos meus olhos que, confesso, estou receoso de que eu desça os degraus que já subi nos últimos dias.

Penso que não estou muito seguro das minhas forças ainda. Ou não saiba direito como lidar com tudo que vem por aí, embora eu já tivesse imaginado o contrário. Talvez eu precise me transformar por completo para, aí sim, tomar decisões.


A única certeza que tenho hoje é que eu acordei meio assim, sei lá.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

SOBRE TER DEPRESSÃO - O começo de uma luta

Bem, meu nome é Glauber Canovas e vou contar um pouco da minha história. Tenho 32 anos e uma família e amigos maravilhosos. Sou jornalista, me considero um bom profissional e tenho a mais completa noção que sou um homem privilegiado. A minha vida não é diferente da de ninguém. Repleta de altos e baixos, recheada de conquistas e também tropeços.

Tenho uma personalidade marcada, desde sempre, pela ansiedade o que sempre me levou a fazer coisas e tomar decisões no impulso. Ora essas coisas e decisões impulsivas se transformavam em consequências positivas, ora (na maioria das vezes), não. No entanto, eu sempre dei ombros. Sempre minimizei os problemas substituindo-os por outras coisas que, paliativamente, me faziam esquecer e não me deixavam abater.

Porém, o ano de 2017, definitivamente, me obrigaria a enfrentar tudo o que eu havia deixado pra trás nesses anos todos. Por mais que eu fizesse força para fugir, essa hora chegaria. E tenho que dizer, essa hora chegou! Pior, o baque foi maior e pior do que imaginei. Os primeiros desafios surgiram logo no início do ano, quando me divorciei. Três meses depois minha vida parecia ter entrado no eixo. Achei que tivesse encontrado a tal felicidade. Mas em setembro, porém, passei a ter sensações e sentimentos que já tinha sentido antes, mas algo era diferente. Parecia o prenuncio de algo maior. Minha felicidade, em uma velocidade atroz, foi se transformando em angustia, tristeza, medo e solidão.

Eu, como sempre fiz a vida inteira, tentei de alguma maneira fugir. Mas dessa vez eu tive o que colocar no lugar. Lutei de todas as formas contra esses sentimentos. Mas a cada tentativa de me esconder, a angustia me cercava e me apertava e a tristeza se colocava de frente comigo. Eu não tive escolha. Era necessário abrir os olhos e me enxergar. Enxergar o estrago e as consequências de todos esses anos fugindo de problemas. Eu me enganei durante todo esse tempo e não sabia.

Meu desespero e minha dificuldade em lidar com os problemas me obrigaram buscar ajuda. Fui a um psicólogo de confiança e foi aí que tive a real dimensão do que estava por vir: fui orientado a me consultar com psiquiatra(!). No dia 31 de outubro, ao me consultar e vomitar minha situação à médica, recebi o diagnóstico: DEPRESSÃO, ANSIEDADE com potencial de se transformar em um Transtorno Obsessivo Compulsivo, o famoso TOC! Não vou mentir, eu desabei. De imediato constatei que havia mais fundo no meu poço.

Já no dia seguinte comecei o tratamento medicamentoso: 20mg de paroxetina. Mas aí, meus amigos, outra luta estava prestes a começar: Os efeitos colaterais ocasionados pela droga. A psiquiatra já havia me avisado sobre isso, mas eu não tinha dimensão da pancada. A tontura e o enjoo (que também sinto como efeito) é moleza perto da potencialização da angustia, da tristeza, do medo e do choro causados pela paroxetina. É assustador! É um efeito contrário ao objetivo do medicamento, que é estabilizar as sensações e fazer com que você volte ao eixo. Mas é o tal “período introdutório” e a maioria das pessoas que tomam antidepressivos passa por isso. Eu não sou exceção.

NEM TUDO É ESCURIDÃO
Sim, há algo de positivo nisso tudo. E o primeiro ganho que tive foi me reencontrar com Deus. Sim, Aquele que tanto neguei nos últimos anos foi o primeiro a me acolher no momento mais difícil da minha vida. E isso me fez perceber que Deus, em sua infinita bondade, sempre esteve ao meu lado, mas eu quem sempre o rejeitou.

Além disso, também tenho recebido o amor, o afeto e a compaixão de pessoas maravilhosas. Pessoas que, sem as quais, eu talvez não tivesse força pra enfrentar tudo isso. Quero começar pela minha família, meus irmãos e meus pais, mas principalmente minha irmã Priscila e minha sobrinha Camilla. Eu sequer tenho palavras para agradecer o tamanho de amor que dedicam a mim. Honestamente eu não sei se estaria escrevendo esse relato se não fossem vocês na minha vida.

Também tenho que agradecer a duas outras pessoas que, em minhas crises no trabalho, me apoiaram e se colocaram prontamente em me ajudar: Meus companheiros e amigos, Alexandre e Fagner. Quando as crises de ansiedade começam, o mundo se abre aos meus pés e esses dois caras sempre estão ao meu lado, o tempo todo, e sempre com uma palavra de conforto e um ombro para que eu me apoie. Alexandre e Fagner, meu eterno agradecimento!

MAS QUAL É O MEU OBJETIVO?
Não, eu não tenho a intenção de que isso seja mais um texto de reflexão. Eu estou compartilhando esse meu relado afim de tentar ajudar pessoas que estão passando pela mesma situação que a minha. E se você que está lendo estiver passando pelo mesmo processo, busque ajuda profissional, fale com sua família, grite para seus amigos, mas nunca (em momento algum) se isole. A depressão é uma doença silenciosa, mas muito poderosa! O boicote que sofremos da nossa mente nos põe de frente com a morte o tempo todo e isso não é um exagero. Passamos a fantasiar em nossa cabeça que todas as pessoas ao nosso como estão felizes menos a gente e isso só faz aumentar o buraco aos nossos pés. Mas temos que acreditar, a vida vale a pena!

Eu ainda estou no começo do tratamento e é possível que eu tenha outras crises até que a medicação comece a estabilizar os sintomas. Mas o que tem me ajudado (muito!) é engolir o orgulho, me apoiar na família, nos amigos e, principalmente, em Deus. Vai por mim, você descobrirá o quão está rodeado de gente que te ama e quer o seu bem.


A luta é diária, mas a gente é capaz de voltar a sorrir e de colocar nossa vida nos eixos. Sejamos fortes e confiemos em Deus!

terça-feira, 26 de setembro de 2017

É passageiro

É passageiro. Se parece como uma travessia de quilômetros de extensão de um rio, contra a correnteza, mas é passageiro, uma hora se esvai.  É passageiro. Nada dura tanto ao ponto de te esgotar. Você pode até sangrar, mas, no final, vai perceber que é passageiro. Aquilo que hoje parece te fazer enfraquecer, em algum momento, será sua fortaleza. É passageiro. O peito apertado, o suor das mãos e a angustia que toma o corpo, no fim, são passageiros.

A inquietude da alma que sentimos gritar dentro da gente, na calada da noite, irá descansar e você verá que foi passageiro. O pulso desnorteado do coração uma hora irá voltar à rota normal e vai se deitar no peito como quem dorme no colo da mãe. A música que toca no rádio e que hoje faz você maldizer dos acontecimentos, será a mesma que seguirá como trilha quando você perceber que foi passageiro.

Assim como a alegria, a tristeza também é passageira.


A notícia infeliz é que todos nós, sem exceção, passamos por isso. A boa nova, no entanto, é que tudo é passageiro.


segunda-feira, 18 de setembro de 2017

“Curte” ou “compartilha”? Acho que minha vida poderia ser melhor

Após um longo dia de trabalho, cheguei em casa e liguei a TV. Sintonizei em qualquer coisa que não me fizesse prender a atenção, um seriado bobo de comédia norte-americana. Tireis os sapatos e a camisa. Estiquei as pernas no sofá enquanto “zapeava” as atualizações das redes sociais. Nas timelines apenas memes e textão (Nossa, como eu odeio textão! Embora, por vezes, eu queime minha língua por isso, confesso). A política me fascinava. Discutir política me fascinava. Porém, de uns anos pra cá, tenho tido (muita!) preguiça de falar sobre. Confesso que essa atitude fez de mim uma pessoa menos amarga, menos odiosa.

Hoje me seguro para não “compartilhar” mais o que eu penso sobre qualquer coisa, principalmente política (A não ser que seja numa mesa de bar com amigos que tenham decência de levar uma conversa, que não me imponha suas opiniões e que me botem a pensar sobre outro prisma. Caso contrário, é perda de tempo. Eu não perco tempo). Até porque, honestamente, acho que as pessoas cagam para o que eu tenho a dizer. E a recíproca, tenho que dizer, é bem verdadeira também.

Deixei o celular sobre o braço do sofá e continuei, por mais alguns minutos, a assistir o seriado bobo de comédia norte-americana. Celular vibra. Nada demais, eram apenas amigos num grupo de WhatsApp repassando algo inútil, como fotos de mulheres nuas ou algum vídeo com pretensões jocosas. Para não ser o único mal educado do grupo e, mesmo sem ter prestado atenção ao “conteúdo”, respondo um “kkkkk” e vida que segue. O problema de responder com um “kkkkk” é que o indivíduo que repassou o meme se sente estimulado. Então, é bem possível que nos próximos minutos venha(m) outro(s) “conteúdo(s)” similar(es). Eu sei disso porque muitas vezes eu sou esse indivíduo (exceção feita às fotos de mulheres nuas. Disso eu não compactuo, mesmo).

Levanto, pego uma cerveja na geladeira e pego algo para petiscar durante um gole e outro. Fico de frente à TV, que continua reproduzindo o seriado bobo de comédia norte-americana, dou algumas risadas e... a tela do celular reproduz nova notificação. A foto que postei durante almoço, do meu prato de comida, ganhou novo “like”. Aqui eu preciso levantar uma nova questão: O que eu faço com o “like”? Pra que serve, afinal?! Ok, amigo leitor, eu sou refém desse sistema também. Distribuo “likes” a torto e a direito sem que houvesse amanhã. Mas a questão me veio enquanto escrevo, me desculpe. Enfim, não entendo muito bem esse meio de interação. É algo que existe para que alguém registre a visualização (Hey, eu vi sua foto!) como se isso fosse mudar algo. Porém, o fato de eu não entender direito, não significa que eu não os cace. Até porque não faria sentido algum eu publicar algo que não fosse pra ser visto por outras pessoas, certo? Certo.

O seriado bobo de comédia norte-americana chega ao fim. Comercial. Pego o celular e vou até a varanda. Ascendo um cigarro e dou um gole em minha cerveja, enquanto “zapeio” as atualizações das redes sociais. E quando eu menos espero...“kkkkk”, “like”, “compartilhar” “encaminhar”, “enviar”, “publicar”.


Bem, agora que já cumpri minhas tarefas, vou dormir. Não antes de desejar uma “boa noite a todos” no grupo da família.

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Preciso escrever

O tempo está passando, preciso escrever. As palavras vão surgindo em minha cabeça e a soma das letras me trazem calmaria. Preciso escrever. A vida contada em palavras é sempre mais bela. Nas músicas, nos livros ou num simples pedaço de papel. Preciso escrever.

Escrever é uma arte que nos permite voar, saltar, correr, sorrir, chorar. As letras, somadas umas às outras, podem ser transformadas em uma arma letal. Palavras têm poderes e é preciso ter cautela ao usá-las.

Me desculpe, amigo, mas agora eu preciso escrever.

Escrever sem parar, juntar letras, formar frases, conjugar verbos. É verdade, não minto; eu preciso escrever. O caminho que nós percorremos até aqui são palavras em ação. Nossas vidas dariam um livro escrito à mão. O tempo, assim como a vida, é um caderno aberto em que a cada segundo são tomadas por novas palavras. Formando, assim, uma história contada através de textos bem ou mal acabados. Independentemente do final, eu preciso escrever.

Nem sempre seremos uma fábula de final feliz. Mas só por hoje eu não consigo esperar. Não tenho tempo a perder.

Preciso escrever.




sexta-feira, 7 de outubro de 2016

Encontro perdido

Dia desses, enquanto voltava para casa após um longo dia de trabalho, avistei a uns 300 metros a mulher que anos atrás havia mudado minha  vida para sempre. Quando me dei a certeza de que se tratava mesmo dela e que há tempos não via, minhas pernas tremeram, minhas mãos suaram e meu rosto ficou na mesma coloração de um flamingo. Mesmo assim resolvi seguir meu caminho que era, inevitavelmente, em sua direção.

Quando estávamos a pouco mais de 50 metros de distância um do outro, ajustei minha camisa, centralizei meu cinto e dei o último "tapa" no cabelo. Aquela altura eu já ensaiava minhas primeiras palavras, pensava num assunto, sem temer qual seria sua reação. Estávamos bem mais próximos, eis que ouço seu telefone tocar. Antes mesmo que eu pensasse em qualquer coisa, ela tende seu telefone com um sonoro – OI, AMOR! Como você está?

Fiquei sem reação, mas agradeci aos deuses por ter colocado uma banca de jornal naquela mesma calçada e bem ao meu lado. Ela, ao atender ao telefone, encostou na parede bem próximo à bendita banca de jornal (Aleluia!) e continuou sua conversa. Enquanto isso eu folheava uma revista qualquer. Não preciso dizer que minha concentração na leitura era zero. Evitei provocar o mínimo de som para que pudesse prestar atenção apenas naquela conversa, que seria um divisor para minha estratégia de provocar ou não aquele encontro “inesperado”. E foi.

Escutei atentamente, na tentativa de desvendar quem era aquele interlocutor inconveniente do outro lado da linha. O dono da banca, que me olhava com os cantos dos olhos, já desconfiava que eu não estava ali para comprar nada, principalmente aquela revista que eu fingia ler enquanto ouvia aquela conversa.

Percebi que ela sorria enquanto ouvia aquele patético interlocutor falar. A medida que me enchia de coragem para provocar de vez aquele encontro e também acabar com a inoportuna ligação, percebi que ela estava mais envolvida no assunto com aquele desprezível ser.

Tomei uma decisão. Sair da banca de jornal e ir direto ao seu encontro. Estava decidido a ficar plantado em sua frente e acabar logo com aquilo. Porém, ao dar o primeiro passo fora da banca... – Senhor, a revista senhor! Eu que já estava absolutamente consternado, desejei me enfiar debaixo da prateleira de jornal. Pedi desculpas e tirei algumas notas do bolso, paguei.

Após pagar por uma revista que eu jamais iria ler, voltei ao meu plano original. Criei coragem e enchi os pulmões de ar. Fechei os olhos e fui em sua direção. Segundos depois de voltar a abrir meus olhos, enxerguei apenas uma parede. Ela, a mulher que havia mudado minha vida para sempre, como num passe de mágica, sumiu. Olhei para o outro lado da rua, olhei para os lados, girei meu corpo em 360° e nada. Perplexidade define aquele momento. Como aquilo pôde acontecer? Num estalar dos dedos eu perdi aquilo que outrora foi minha maior esperança: um encontro com ela. A chance de falar tudo que sentia por foi para o espaço. Perdi. A perdi de vista, perdi o time e perdi dinheiro (o da revista!). Acabei também me perdendo no tempo e não me dei conta que já passava das 20h.

Fui embora, como era de se esperar, perdido...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

SP| Não foi o PT que perdeu. Todo nós perdemos

Não foi um partido que perdeu. Quem perdeu foi um projeto inclusivo. Uma das únicas cidades do país que tinha na pauta uma discussão focada aos direitos LGBTs, aos negros e negras, aos movimentos populares. Que via a população de rua com o mínimo de dignidade que merece. Quem perdeu foi um projeto que devolveu a cidade à população. Que fez São Paulo ser menos agressiva, menos hostil e mais viva.

Não, não foi o PT que perdeu. Na ordem do dia, o partido é o menos importante. Até porque muitos votos em Haddad vieram de pessoas apartidárias, muitas sem simpatia pelo Partido dos Trabalhadores. De pessoas que entenderam o que realmente estava em jogo.

Tenho absoluta convicção de que a maioria dos paulistanos que elegeu o projeto(???) de Dória, o fez sem nem saber do que se trata. Elegeu pelo ódio, pensando com o fígado. Sequer colocou na balança as demais propostas apresentadas pelos candidatos. Simplesmente colocaram em prática um plano nefasto de desgaste liderado pela grande mídia. Não houve bom senso, houve senso comum.

O que fica de reflexão é que nós, brasileiros, não precisamos discutir política. Nós precisamos entendê-la. E convenhamos, estamos muito longe disso.

Boa sorte a todos nós. Vai ter luta. Sempre.