terça-feira, 22 de maio de 2018

A vida é um escambo

A vida é um escambo. A gente vive sempre à base de troca. De favores, de ideias, de ofensas, de maldade. Na complexidade do que é viver, estamos sempre, pormenor que seja a nossa vontade, trocando e renunciando coisas. Renunciando um futuro que poderia vir.

Se enganam aqueles que acham que têm o controle de tudo. É o contrário, meu amigo. Tudo está fora do nosso controle. Para cada decisão, uma renúncia. Para cada ação, uma reação quase sempre inesperada ou não planejada. A vida é um escambo justamente porque há sempre uma moeda de troca em cada ato. Em cada passo.

Por mais que a mente diga e imagine todas as possibilidades, dar o próximo passo ou tomar a próxima atitude sempre acarretará numa decisão. Sempre acarretará em deixar de fazer algo.

Nesse momento, em que escrevo esse texto, estou optando por algumas palavras e renunciando outras. Escrevo sobre isso, mas poderia escrever sobre amores, sonhos ou coisas Mas eu renuncio a essas opções em prol desse devaneio sem propósito. Melhor, escrevo para dizer a você que a vida, por pior ou melhor que seja, é um escambo.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

A gente se vê

A gente se encontra por aí. A gente se cruza na rua, numa fila de banco ou num parque qualquer.

A gente se esbarra por aí. Numa baldeação de metrô, numa lanchonete da vila, ou numa mercearia, se der.

A gente vê por aí. Num cruzamento de via, numa balada do centro ou numa rede social, se tiver.

Se a gente se encontrar, o que faço daí? Me escondo num canto, me faço de louco ou me jogo num buraco de ré?

Se a gente se ver por aí, me peça de tudo. Só não que eu te esqueça um minuto sequer.

terça-feira, 20 de março de 2018

Sabedoria de um homem enfurecido

“O que ele estava fazendo a essa hora na rua?”, esbravejou. “Tem mais é que morrer mesmo!, sentenciou o homem de meia idade durante uma discussão com sua companheira a respeito de um tiroteio que acabara de acontecer perto de sua residência. Contrariada, Márcia bem que tentou argumentar. Sem sucesso.

O homem, que já não aguentava tanta violência, continuou a disparar insultos sobre o caso que sequer presenciou. Banalizou de tal maneira a vida que, para ele, a morte por meios duvidosos havia se tornado normal.

Foi até o portão para saber se ainda havia movimento na rua e deu de cara com o breu da avenida sem iluminação. Regressou, passou no quarto, pegou a toalha e foi tomar seu merecido banho. Não antes sem resmungar pela última vez. “Perdi muito tempo falando de vagabundo. Vou tomar meu banho que amanhã eu pego cedo no trabalho”. 

O relógio na parede da cozinha apontava 25 pra onze, quando seu telefone toca. Ele atende a ligação de um número desconhecido. “Tudo bem, estou indo aí”. Dirige-se ao quarto, coloca uma bermuda, uma camiseta e calça seu tênis. Se empossa da carteira e sai apressado. “Marcia, vou à casa de minha mãe e já volto!”. E sai em rompante colocando o portão contra o batente em velocidade atroz.

Horas depois sem saber notícias, Márcia tenta, sem sucesso, ligar para seu marido. O telefone até dá sinal do outro lado, mas a ligação finda na caixa postal. Márcia, então, se dirige ao quarto, coloca um shorts, uma camiseta e calça seu tênis. Se empossa da bolsa e sai apressada em direção à casa da sogra.

Ao se aproximar do seu destino, a mulher percebe uma movimentação maior do que o normal para aquele horário - já passava das duas. Pessoas reunidas e, ao que deu pra contar, seis viaturas da polícia.

Aperta o passo.

Saiu desviando das pessoas como quem está perdida em uma mata fechada. Já próxima ao local reconhece o marido pelo tênis sujo e já gasto.

Coração pulsa mais forte.

Já com a respiração oscilante, influenciada pela adrenalina, a mulher se desespera ao ver seu companheiro deitado de bruços na calçada. Pior, Marcia se dá conta que está presenciando um velório a céu aberto. Lucas, seu cunhado de 18 anos, foi confundido com um traficante e levo 4 tiros de um policial "desavisado". 

Sérgio, companheiro de Marcia, por sua vez, chora a morte do “vagabundo” que chegava tarde em casa depois de ter pegado cedo no trabalho.  

quinta-feira, 1 de março de 2018

Obrigado, você foi importante pra mim!



NOTA| Amigo, me perdoe pelos eventuais erros de língua portuguesa. Escrevi este texto às pressas, com sono e bastante emocionado. Hoje fez dois meses que me "libertei" da depressão, o que para mim tem um significado muito importante. Espero que goste. Boa leitura!
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Eu só quero agradecer, ainda que ressabiado, por você ter passado em minha vida. Não foi fácil. Aliás, enquanto estivemos juntos foi dolorido demais. Porém, tenho que reconhecer que, graças a você, em 32 anos, eu tive a oportunidade de fazer uma inédita imersão em mim mesmo. Uma imersão profunda, de alma.

Dividi com você os meus piores desejos. E, embora tenha sido a companheira mais inóspita que já tive, você esteve comigo durante 24 horas por quase 60 dias. Ao seu lado eu chorei. Ao seu lado eu deixei de ver cor em meus dias. Ao seu lado eu cheguei até mesmo considerar que a morte era uma alternativa provável.

Mas eu agradeço você. E faço isso porque, em sua companhia, eu me reinventei. Eu também pude ver que neste mundo, às vezes tão mal habitado, ainda existem pessoas maravilhosas. Pude enxergar o quão Deus está presente em minha vida.

Graças a você me tornei mais tolerante comigo mesmo. Passei a aceitar que eu posso falhar e tomei consciência de que, sim, irei falhar mais vezes. E que saber? Está tudo bem.

Mas foi também em sua companhia que eu pude me aproximar de pessoas e ter o privilégio de conhecer suas histórias de superação. Também tive a rara oportunidade de enxergar o senso de humanidade e também de receber o acolhimento de cada uma delas. E isso, pra mim, não tem preço.

Neste exato momento, em que escrevo esta carta a você, lágrimas escorrem em meus olhos e um filme passa em minha cabeça. Me recordo das noites em claros, do travesseiro molhado de lágrima e do desejo visceral de me abandonar. Por outro lado, recordo também de cada abraço apertado, de cada telefonema em momentos difíceis e de cada mensagem recebida. E isso tudo eu devo a você! 

Eu te agradeço, mas saiba que não sinto sua falta. E mesmo que um dia você volte, entenda que de mim só terás o vazio.

Por fim, encerro esta carta de agradecimento com toda a ingratidão que te cabe.

Um abraço e até nunca mais, se Deus quiser.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Um dia de festa


Era um dia de festa. Pessoas felizes tomavam conta das ruas e cantavam as canções daquele carnaval acompanhadas de um calor de mais de 30 graus. O sorriso no rosto era a principal fantasia daquela gente que, pra se contentar, bastam alguns drinks e um carro de som.

Era um dia de festa. Glitter, suor e distribuição de beijos formavam a perfeita evolução do povo que só fazia ser feliz. Mas de repente você passou. Uma colombina deslumbrante, com um sorriso que tomava conta da avenida.

Era um dia de festa e você era a alegoria mais linda daquele desfile de pessoas comprometidas em acompanhar o cortejo dos blocos até o final. Te enxerguei no meio da multidão e, para mim, o carnaval passou a fazer mais sentido.

Porém, sem que eu merecesse, você voltou seus olhos para os meus e juntos entramos numa ala só nossa. Falamos poucas palavras e, para não perdermos a evolução, nos beijamos. Nesse momento eu ganhava o meu Estandarte de Ouro.

E sem que eu tivesse tempo de abrir os olhos, você dispersou no meio da multidão deixando comigo apenas a marca de batom e o resquício do glitter. Voltei, então, ao meu enredo e acompanhei aquele povo, cujo único pecado era ser feliz. O samba segue. Era um dia de festa.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

SOBRE TER DEPRESSÃO – O início do fim

Já sinto que estou no fim do meu tratamento e hoje trago só boas notícias. Após o período introdutório do medicamento em que os efeitos colaterais foram pesadíssimos, hoje posso dizer que estou 95% "curado". Nesta semana já iniciei o processo de desmame da medicação (que deve ser feito aos poucos para que o organismo se adapte à falta da substância) e até o momento estou me sentindo muito bem. Me sinto feliz!
É muito louco pensar que, semanas atrás, eu tinha sentenciado o fim da minha felicidade. É muito mais louco ainda lembrar que passou pela cabeça que tirar a minha própria vida seria uma saída. Meu processo todo, entre o início dos sintomas da depressão e da ansiedade, durou em torno de 2 meses e isso, pra mim, foi uma eternidade. Fico imaginando como outras pessoas conseguem passar até mesmo anos de sofrimento por conta de uma doença que corrói a mente todos os dias em todos os milésimos de segundo.

Assim como nos posts anteriores, vou insistir: PROCURE AJUDA E NÃO TENHA VERGONHA DO QUE ESTÁ SENTINDO! FALE COM OS AMIGOS, FAMÍLIA. RECORRA A SUA RELIGIÃO! MAS NÃO SE ISOLE, EM MOMENTO ALGUM!

Sei que há pessoas que estão acompanhando, desde o início, o meu processo e que também estão passando ou passaram por isso. Tenho recebido muitas mensagens de amigos, familiares e até desconhecidos que, de alguma maneira, estão preocupados comigo (tenho que agradecer muita gente!) ou que estão buscando informações sobre como devem agir (eu mesmo pratiquei isso quando buscava respostas) durante as crises e o início do tratamento da depressão. Até por isso tenho colocado, de quando em quando, os relatos do meu convívio com esse problema.

Optei por passar por cima da vergonha na tentativa de ajudar, ainda que de maneira minúscula, outras pessoas. E vou dizer, isso também tem me ajudado muito. Fico muito feliz quando alguém entra em contato comigo e diz que meus textos têm contribuído para a compreensão de seu tratamento. Se fiz algo de bom nessa vida, certamente escrever sobre isso é uma delas.

Enfim, se outrora sentenciei o fim de meus melhores dias, hoje só posso decretar uma coisa: Só vem, felicidade! 

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

SOBRE TER DEPRESSÃO - Um dia de cada vez

Olá, amigo!
Escrevo este texto aqui para informá-lo a quantas andas o meu tratamento contra a depressão e ansiedade. Ainsa estou a base de medicamentos e sinto alguma evolução, sim. As vezes ainda me pego triste e desanimado (esta semana tem sido assim), mas na maioria do tempo me sinto bem. O choro fácil e a sensação de estar com a garganta amarrada são acontecimentos cada vez mais raros. No entanto, o receio de ter as crises novamente ainda é bem presente.

Outra boa notícia é que, depois de quase perder 10 quilos, estou ganhando peso de novo, mais rápido do que imaginei até (a paroxetina abre o apetite de tal forma que é preciso ter cuidado para não comer os pés da mesa). Meu bom humor está voltando aos poucos também e já consigo socializar com amigos e colegas do trabalho, o que nos últimos dias era impossível.

Ainda que os efeitos dos remédios não tenham atingido o auge dentro do meu organismo (em média leva 2 meses para fazer o efeito completo, segundo os médicos), algo notável é a paralisação dos pensamentos ruins que dominavam minha mente e que me fizeram crer, em um episódio “apenas”, que o suicídio era uma hipótese bastante considerável. Já consigo controla-los e, graças a Deus, isso não voltou a acontecer.

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NOTA| Tenho lido muito sobre esse problema e faço parte de um grupo de apoio no Facebook e isso tem me ajudado a me entender melhor e perceber que, infelizmente, isso é mais comum do que a gente pensa que é (faço questão de frisar isso em todos os meus textos porque seu colega do lado pode estar vivendo esse momento e as vezes não percebemos. Não me canso de dizer também da importância de Deus, da família e dos amigos!). 

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A verdade é que, em comparação ao que passei nos primeiros 15 dias do tratamento, hoje eu consigo dizer que estou muito melhor (com todas as ressalvas ditas acima) e isso não tem preço. O alívio que sinto ao acordar pela manhã e não ter mais a sensação de que o mundo vai desmoronar sobre minha cabeça tem me ajudado a entender o boicote que eu sofria da minha própria cabeça e tem feito com que eu queira dar sempre mais um passo rumo à minha total recuperação. Digamos que estou no meio dessa caminhada, mas com a ajuda de Deus, família e amigos, em breve estarei 100% novamente!




terça-feira, 21 de novembro de 2017

Na plataforma da estação

Eu estava atrasado naquela manhã. Relógio apontava quase 11h quando no meu destino eu teria de estar às 10h. Não foi uma manhã fácil aquela. Desci a rua de casa às pressas e entrei no primeiro ônibus que ia para estação de metrô. Conferi meus bolsos para saber se tudo que eu precisava estava ali – celular, cigarros e carteira. Sim, tudo estava em seu devido lugar.

Foi então que, no trajeto para a estação, eu descobri que aquela manhã me surpreenderia. Após voltar ao meu estado normal e passar a perceber as pessoas ao meu redor, meus olhos, como imã, se voltaram para uma garota em especial. Eu não sei definir exatamente o que passou pela minha cabeça, mas senti que os lindos olhos castanhos claro dela também se voltaram pra mim. Nossos olhos, então, se encontraram por alguns longos segundos.

Chegamos ao destino e descemos, ela na minha frente. A deixei propositalmente nessa posição para que eu pudesse segui-la. Aquele encontro ocular, de alguma forma, me fez esquecer que estava atrasado. Continuei.

Já na plataforma da estação, por coincidência, parei logo atrás dela. Sentamos bem próximos um do outro, mas o encontro dos olhos já não era frequente. Chamam isso de timidez. Mas eu estava disposto a vencer a minha, já que aparentemente ela não venceria a dela. Ainda lembro de suas pernas mexendo pra cima e para baixo demonstrando ansiedade. De certa forma achei aquilo engraçado.
Já próximo de onde eu desceria, respirei fundo e, sem qualquer plano, me aproximei:

- Oi, tudo bem? Perguntei com a voz tremula.
Silêncio.

Percebi que ela estava de fone, mas que tinha me ouvido.
- Tudo e você?

Ainda sem muito o que dizer, pedi seu telefone e fui prontamente atendido. Nesse momento, um misto de alivio por não ter sido ignorado e de orgulho por não ter deixado escapar a oportunidade de conhecer alguém interessante.


Hoje, alguns dias após, tenho entendido que minha decisão foi correta. Agora, no entanto, nossos olhos que se cruzaram naquela manhã, se fecham todas as vezes em que nossas bocas se encontram.

SOBRE TER DEPRESSÃO - Meio assim assim, sei lá

Hoje eu acordei meio assim, sei lá. Sabe quando você desperta de um sono, pela manhã, e que algo diferente com você está acontecendo? Pois é, estou me sentindo assim. Muitos sabem que estou passando por uma redescoberta de mim mesmo. Embora eu acredite que o fundo poço esteja bem mais distante dos meus pés, hoje eu percebi que não estou cem por cento reconstruído. As recaídas, ainda que leves, me fazem parar pra pensar quem realmente sou e o que realmente quero pra mim. A parte ruim disso é que eu não tenho uma resposta.

Eu percebi que preciso me colocar em observação por mais tempo. Acho que não estou pronto pra me libertar totalmente. Não sem passar por essas pequenas “bads”. Ok, eu entendo que todo mundo, por melhor que esteja em seu momento, passa por isso também. Mas tantas lágrimas já escorreram pelos meus olhos que, confesso, estou receoso de que eu desça os degraus que já subi nos últimos dias.

Penso que não estou muito seguro das minhas forças ainda. Ou não saiba direito como lidar com tudo que vem por aí, embora eu já tivesse imaginado o contrário. Talvez eu precise me transformar por completo para, aí sim, tomar decisões.


A única certeza que tenho hoje é que eu acordei meio assim, sei lá.

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

SOBRE TER DEPRESSÃO - O começo de uma luta

Bem, meu nome é Glauber Canovas e vou contar um pouco da minha história. Tenho 32 anos e uma família e amigos maravilhosos. Sou jornalista, me considero um bom profissional e tenho a mais completa noção que sou um homem privilegiado. A minha vida não é diferente da de ninguém. Repleta de altos e baixos, recheada de conquistas e também tropeços.

Tenho uma personalidade marcada, desde sempre, pela ansiedade o que sempre me levou a fazer coisas e tomar decisões no impulso. Ora essas coisas e decisões impulsivas se transformavam em consequências positivas, ora (na maioria das vezes), não. No entanto, eu sempre dei de ombros. Sempre minimizei os problemas substituindo-os por outras coisas que, paliativamente, me faziam esquecer e não me deixavam abater.

Porém, o ano de 2017, definitivamente, me obrigaria a enfrentar tudo o que eu havia deixado pra trás nesses anos todos. Por mais que eu fizesse força para fugir, essa hora chegaria. E tenho que dizer, essa hora chegou! Pior, o baque foi maior e pior do que imaginei. Os primeiros desafios surgiram logo no início do ano, quando me divorciei. Três meses depois minha vida parecia ter entrado no eixo. Achei que tivesse encontrado a tal felicidade. Mas em setembro, porém, passei a ter sensações e sentimentos que já tinha sentido antes, mas algo era diferente. Parecia o prenuncio de algo maior. Minha felicidade, em uma velocidade atroz, foi se transformando em angústia, tristeza, medo e solidão.

Eu, como sempre fiz a vida inteira, tentei de alguma maneira fugir. Mas dessa vez eu não tive o que colocar no lugar. Lutei de todas as formas contra esses sentimentos. Mas a cada tentativa de me esconder, a angustia me cercava e me apertava e a tristeza se colocava de frente comigo. Eu não tive escolha. Era necessário abrir os olhos e me enxergar. Enxergar o estrago e as consequências de todos esses anos fugindo de problemas. Eu me enganei durante todo esse tempo e não sabia.

Meu desespero e minha dificuldade em lidar com os problemas me obrigaram buscar ajuda. Fui a um psicólogo de confiança e foi aí que tive a real dimensão do que estava por vir: fui orientado a me consultar com psiquiatra(!). Ao me consultar e vomitar minha situação à médica, recebi o diagnóstico: DEPRESSÃO, ANSIEDADE com potencial de se transformar em um Transtorno Obsessivo Compulsivo, o famoso TOC! Não vou mentir, eu desabei. De imediato constatei que havia mais fundo no meu poço.

Já no dia seguinte comecei o tratamento medicamentoso: 20mg de paroxetina. Mas aí, meus amigos, outra luta estava prestes a começar: Os efeitos colaterais ocasionados pela droga. A psiquiatra já havia me avisado sobre isso, mas eu não tinha dimensão da pancada. A tontura e o enjoo (que também sinto como efeito) é moleza perto da potencialização da angústia, da tristeza, do medo e do choro causados pela paroxetina. É assustador! É um efeito contrário ao objetivo do medicamento, que é estabilizar as sensações e fazer com que você volte ao eixo. Mas é o tal “período introdutório” e a maioria das pessoas que tomam antidepressivos passa por isso. Eu não sou exceção.

NEM TUDO É ESCURIDÃO
Sim, há algo de positivo nisso tudo. E o primeiro ganho que tive foi me reencontrar com Deus. Sim, Aquele que tanto neguei nos últimos anos foi o primeiro a me acolher no momento mais difícil da minha vida. E isso me fez perceber que Deus, em sua infinita bondade, sempre esteve ao meu lado, mas eu quem sempre o rejeitou.

Além disso, também tenho recebido o amor, o afeto e a compaixão de pessoas maravilhosas. Pessoas que, sem as quais, eu talvez não tivesse força pra enfrentar tudo isso. Quero começar pela minha família, meus irmãos e meus pais, mas principalmente minha irmã Priscila e minha sobrinha Camilla. Eu sequer tenho palavras para agradecer o tamanho de amor que dedicam a mim. Honestamente eu não sei se estaria escrevendo esse relato se não fossem vocês na minha vida.

Também tenho que agradecer a duas outras pessoas que, em minhas crises no trabalho, me apoiaram e se colocaram prontamente em me ajudar: Meus companheiros e amigos, Alexandre e Fagner. Quando as crises de ansiedade começam, o mundo se abre aos meus pés e esses dois caras sempre estão ao meu lado, o tempo todo, e sempre com uma palavra de conforto e um ombro para que eu me apoie. Alexandre e Fagner, meu eterno agradecimento!

MAS QUAL É O MEU OBJETIVO?
Não, eu não tenho a intenção de que isso seja mais um texto de reflexão. Eu estou compartilhando esse meu relato afim de tentar ajudar pessoas que estão passando pela mesma situação que a minha. E se você, que está lendo, estiver passando pelo mesmo processo, busque ajuda profissional, fale com sua família, grite para seus amigos, mas nunca (em momento algum) se isole. A depressão é uma doença silenciosa, mas muito poderosa! O boicote que sofremos da nossa mente nos põe de frente com a morte o tempo todo e isso não é um exagero. Passamos a fantasiar em nossa cabeça que todas as pessoas ao nosso redor estão felizes menos a gente. E isso só faz aumentar o buraco aos nossos pés. Mas temos que acreditar, a vida vale a pena!

Eu ainda estou no começo do tratamento e é possível que eu tenha outras crises até que a medicação comece a estabilizar os sintomas. Mas o que tem me ajudado (muito!) é engolir o orgulho, me apoiar na família, nos amigos e, principalmente, em Deus. Vai por mim, você descobrirá o quão está rodeado de gente que te ama e quer o seu bem.


A luta é diária, mas a gente é capaz de voltar a sorrir e de colocar nossa vida nos eixos. Sejamos fortes e confiemos em Deus!